Feira do Livro da Nazaré - Exposição "Presenças" de Letícia Oliveira

Letícia Oliveira trilha um caminho muito próprio ainda que possa se deixar encantar por Kandinsky e Miró e o consigamos sentir na sua obra. Esta contudo afasta-se quando cresce com uma linguagem única e sua.
Letícia não se afasta de si própria, dá-nos o seu interior, a sua subtileza, delicadeza, equilíbrio e harmonia.
Deixo-me encantar pela sua obra e deambulo em cada quadro da autora deixando aflorar algumas ideias sem fechar a observação a um espaço redutor.
Esta é a possibilidade de um olhar...
Os elementos da “cidade” juntam-se em harmonia perfeita, ainda que desabitada, pois a permanência das pessoas é idealizada pelo contemplador, pela emoção que o desenho transporta. É uma cidade feliz,
carregada de elementos diversos. Um desenho gracioso.
Os “mundos” opõem-se diversificados e em comunicação. O espaço vazio é preenchido, facilmente preenchido pela palavra não escrita mas pensada por nós.

São perspectivas distintas que se parecem contrapor e criar uma outra num espaço em branco atractivo.
O “monte da sabedoria” é complexo, bem estruturado e firme levando-nos ao interior da artista. Interior equilibrado, singelo e quase perfeito.
São apresentados edifícios, pontes, aspectos do mundo externo que não fogem à beleza plástica interiorizada que transporta  para o papel com material simples, despretensioso.
Viajamos para outros espaços, para a América, trazendo-nos não a imponência da “estátua da liberdade”, mas um desenho quem sabe talvez irónico de uma liberdade contestada e contestável. Depois o cenário é
Paris, os ícones, a “Torre Eiffel”, as marcas que são intransponíveis de culturas que nos são próximas.

A “simplicidade” das linhas, das formas encontradas e do circulo perfeito, que se repete ao longo da obra que se apresenta convidativa ao diálogo, ao sentimento e à reflexão. Existem igualmente elementos da
natureza, recriados na simplicidade que a artista nos habitua. A “chuva” inunde-nos, provoca-nos. A sua simetria é patente e geranos um sentimento de certeza, de equilíbrio, de que nada deveria ser mudado, alterado.
Os títulos das obras espelham o interior da artista que se agarra por dentro quando, por exemplo, nos fala da “subtileza”. 
(...)
São obras harmoniosas entre si que espelham uma técnica muito característica
da pintora. O meu desafio é que se deixem envolver pela musicalidade da obra e que a contemplem demoradamente porque merece sem duvida que criemos um espaço interno de aceitação da novidade.

Teresa Almeida Rocha

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