Cravos de Abril - 40 Anos - "P'ró que der e vier" Fausto Bordalo Dias



Tenho a cabeça espetada 
entre a noite e a madrugada. 
Tenho um braço deitado 
entre o perfeito e o enjeitado. 
E um canhão apontado 
para qualquer lado enfeudado. 
Venha lá quem quiser 
estou p´ró que der e vier. 

De manhã mal acordado, 
de noite pouco ensonado. 
Para a aventura que teço 
encontro os dias do avesso. 
Na terra do perder Deus é dinheiro 
Diabo é não o ter. 
Seja homem ou mulher 
estou p´ró que der e vier. 

Dia a dia num aperto 
que mais parece um deserto. 
No descalabro do medo 
mal se levanta um dedo. 
Aconteça o que acontecer 
não temos nada a perder, 
dê no que vier a dar 
assim não podemos ficar. 

Hei-de ser a barricada, 
arma, fogo, despedida. 
Hei-de ser ferro forjado, 
dia e noite amor calado. 
Hei-de ser punho cerrado 
e ternura docemente 
e haja lá o que houver 
estou p´ró que der e vier.

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