Em Abril Cravos Mil - Linha Vermelha

Linha Vermelha recua a 1975, altura em que o alemão Thomas Harlan realiza o documentário Torre Bela, sobre a ocupação de uma grande herdade no Ribatejo, propriedade dos duques de Lafões. Este filme transformou-se num ícone do período revolucionário português: a discussão sobre a quem pertence uma enxada da cooperativa, a ocupação do palácio, o encontro com os militares em Lisboa e o processo de formação de uma nova comunidade… 37 anos depois, José Filipe Costa revisita esse filme emblemático, reencontrando os seus protagonistas e a sua equipa. Qual foi o impacto da presença da câmara sobre os acontecimentos? Que recordações guardam os protagonistas da ocupação? Que influência tem hoje o filme sobre a memória dessa experiência? Os mitos e a revolução são revistos por Linha Vermelha, que mostra como Torre Bela continua a marcar a história de um período conturbado do país.

"A questão central de "Linha Vermelha" não é: "Como é que o cinema mostrou os acontecimentos de Torre Bela?". A questão central é fundamentalmente diferente. A saber: "Como é que o cinema participou nos acontecimentos de Torre Bela?" Na prática, decompõe-se aqui qualquer ilusão "descritiva" do próprio cinema: o filme "Torre Bela" foi parte activa de tudo aquilo que se viveu em Torre Bela.

Os resultados deixam-nos uma curiosa sensação: revisitar as memórias dos filmes é, de uma só vez, reler as suas significações e repô-los no labirinto da história que integraram. "Linha Vermelha" contraria qualquer visão pitoresca (logo, televisiva) dos tempos quentes do 25 de Abril, lembrando-nos como é importante não aceitar a redução desses tempos a uma qualquer caricatura, seja ela ideológica ou moral. Afinal, foram homens e mulheres que, realmente, viveram os acontecimentos. Realmente e, por vezes, cinematograficamente." (João Lopes)


                                                                               


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