OCUPAR ABRIL,TOMAR DE ASSALTO O MÊS DE MAIO

OCUPAR ABRIL,
TOMAR DE ASSALTO O MÊS DE MAIO


Perante o crescente desinvestimento na cultura por parte do Estado, das autarquias e de outras entidades competentes, as organizações com intuitos meramente culturais sentem-se cada vez mais asfixiadas no seu trabalho quotidiano recorrendo, “in extremis", a “patrocínios” e “mecenatos” de sectores apenas preocupados com o lucro “político” e “fiscal” a obter nesse tipo de apoios.


De igual modo sente-se, também, uma enorme dificuldade na divulgação pública das actividades desenvolvidas fora do âmbito institucional, seja pelo silenciamento assumidamente praticado pela comunicação social, seja pela exigência absurda de antecipação das agendas culturais
instituídas, que não se compadecem com um ritmo de trabalho de programação de organizações “ pequenas” em que o voluntariado e a luta por causas são a sua “pedra de toque”.

O projecto “80 anos de Zeca” constituiu, de facto, um paradigma a esse nível: facultou às entidades intervenientes, por várias vezes, a experiência de se fazer bastante e bem com muito pouco dinheiro. Potenciou a experiência de vivenciar o que a força de trabalho de cada um, em conjunto, pôde criar, sem necessidade de recurso ou subserviência a ninguém e, convenhamos, com alguma divulgação pública!

É neste contexto, com todo o acervo do saber adquirido que vimos propor–vos, pessoas colectivas ou a título individual , o projecto "OCUPAR ABRIL, TOMAR DE ASSALTO O MÊS DE MAIO”. Estes são os meses de todos os sonhos que queremos bem vincados como datas de cultura, de luta, de liberdade, de fraternidade, de conhecimento, de estudo, de solidariedade, de memória e de vontade de construção de um mundo novo.


Desta proposta que vos lançamos queremos que saia a vontade de “ocupar e assaltar” a cidade, o país e outras partes do mundo com iniciativas culturais, lembrando e criando memória sobre figuras ou factos, ímpares nos diversos caminhos da Utopia, tantas vezes convenientemente relegadas ao esquecimento pelos senhores do “quero, posso e mando”.

Pretende-se com este projecto que as entidades e pessoas que a ele aderirem, durante os meses de Abril e Maio de 2011, concretizem iniciativas temáticas, lembrando homens e mulheres, gente da cultura (erudita ou popular), factos, datas, épocas, acontecimentos, formas de acção depensadores, que sejam por si reconhecidas como marcantes neste caminho da construção de um mundo sem muros nem ameias, logo mais justo e mais fraterno.

De alguns nomes, factos e experiências, a título meramente exemplificativo, nos fomos
lembrando: Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Victor Jara, Violeta Parra, José Gomes Ferreira, Padre “Max”, Bertold Brecht, Lopes Graça, Dias Coelho, Mário Viegas, República de 1910, Mário Dionísio, Ary dos Santos, 25 de Abril, Sofia de Mello Breyner, Resistência ao Salazarismo, António Aleixo, Carlos Paredes, 1º de Maio, Salgueiro Maia, Comuna de Paris, Emídio Santana, Festival de Woodstock, Bento de Jesus Caraça, Escola de Bauhaus, Soeiro Pereira Gomes, Maio de 68, Luther King, Rómulo de Carvalho (António Gedeão), Castelao, Alexandre Bóveda, Rachel Corrie, Lutas Estudantis, Aristides Sousa Mendes, Wooddy Guthrie, Guernica, Movimento Sindical, Guerra do Vietname, Rosalia de Castro, Garcia Lorca, Dario Fo, Harold Pinter, Clara Zetkin, Que Cultura?, Maria Lamas, Léo Ferré… e quanto(a)s mais?!


Assim, os próximos meses serão de empenho a nível organizativo, das actividades que decorrerão entre Abril e Maio: formalizar adesões a este projecto, potencializar o surgimento de ideias, propor um logótipo, estabelecer (ou não) parcerias, organizar uma agenda, enfim, alargar o projecto ao resto do país e a outros locais no mundo. Naturalmente que todas as iniciativas subjacentes a este projecto decorrerão sob o lema proposto e com o respectivo logótipo a caracterizá-las! Tudo isto porque a cultura, a resistência e a luta acontecem quando o Ser Humano quer, não quando os senhores do poder ou os mecenas do lucro deixam.

Além do mais… o capital mais importante da humanidade somos TODOS NÓS!
Da parte do núcleo do norte da Associação José Afonso … todo (a)s poderão contar com
tudo o que tivermos na palma da mão e com o resto que fizer falta!(?)

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